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Mensagem por Viktoria Conan Doyle em Seg 13 Abr 2015, 16:26


Imaginaerum


Uma canção de quem sou, um soneto fúnebre e insano. Um verso de quem eu era, uma necessidade de voltar a ser. A procura da paz, uma volta em torno do mundo, um barco isolado no antigo ilhéu. Uma mente perdida em meio à escuridão, sendo guiada pelos braços que remavam em busca do desconhecido. Um nome, uma mente, sem memórias.


Estávamos divididos em três grupos, cada um com uma cor diferente. Vermelho, preto e branco. Ainda estava assustada, não conseguia imaginar o que iria acontecer com os grupos, mas esperava que todos conseguissem sobreviver. Deixei um leve suspiro escapar, toquei a mão esquerda na testa e olhei para baixo. Virei-me para o lado, direcionando o olhar para Mihael. Pendi a cabeça lentamente para o lado e depois olhei para Kaira. Respirei fundo, começando a observar todos que se aproximavam da ruiva.


A voz dizia para cada grupo seguir o caminho que lhes foi mandado, e que não gostaríamos de saber o que aconteceria se ficássemos no coreto. Mordisquei o lábio inferior, arqueei a sobrancelha e ajeitei a mochila. Todos começaram a caminhar em direção a floresta, mas isso não me deixava mais tranquila.


Segui os outros, sem soltar a mão de Mihael, e olhei para os lados. Não entendia o motivo, mas algo me dizia para procurar algumas ervas. Inchei as bochechas, cerrei os olhos e olhei para a barriga. Desejava que os arranhões cicatrizassem logo.


Perguntas e mais perguntas. Ainda me perguntava o motivo de tudo aquilo. Por que nos escolheram? Era óbvio que não erámos os primeiros moradores do Complexo, mas não conseguia compreender os motivos. Diversão? Por que achariam graça em ver a destruição das outras pessoas? Por que nos usariam como ratos dentro de um laboratório? Inclinei a cabeça para trás, soltei a mão de Mihael e tossi, virando o rosto para o lado.


Passamos um curto período de tempo no coreto e depois voltamos para a floresta. Senti uma leve fisgada na têmpora e respirei fundo. O lugar não era um dos mais bonitos, mas não podíamos correr para outro. Todos precisavam de comida, água e um local para descansar. Mas algo me dizia que isso não aconteceria; não de forma simples.  


Mihael se aproximou de um alojamento antigo, caindo aos pedaços. Ele se localizava mais ao bundo da floresta onde estávamos. Era possível ver as paredes esbranquiçadas e descascadas. Será que o grupo entraria naquele local? Aquele seria o nosso abrigo? Meus pés foram para trás e pisei num galho seco. Arregalei os olhos, quase deixando um grito escapar de meus lábios e respirei fundo.


Algumas pessoas começavam a falar, mas às vezes eu não as compreendia. Meus olhos percorreram toda e extensão que puderam, até voltarem para o alojamento. O belo rapaz dos olhos azuis se aproximou da ruiva e se apresentou, depois disse que iria procurar alguns galhos para servir de lenha. Aproximei-me de Mihael, o olhei fixamente nos olhos e balancei a cabeça negativamente. Ouvi suas palavras e, infelizmente, ele estava certo. Precisava ficar quieta em algum canto e me proteger, já que um mero galho conseguia me assustar.


Ele caminhou na direção do alojamento, o que me fez encostar a uma das árvores de troncos grossos.  Passei os dedos pelos cabelos, levantando e fazendo um coque frouxo. Puxei alguns fios para trás da orelha e pigarrei.  Queria ir atrás dele, minhas mãos coçavam de curiosidade, precisava entrar naquele local estranho e acabado.


Movi os ombros, voltando para a postura ereta, revirei os olhos e respirei fundo. Dei alguns passos para frente, me aproximando dos outros. Inchei as bochechas, desviei o olhar e tentei criar coragem, pois ela ainda não existia em mim.


Com licença... Acho que ainda não conheço todos. O meu nome é Ocean. Precisamos de plantas. Mas não consigo pensar ou me lembrar de quais nos ajudariam. Sei apenas que poderiam ser usadas nos ferimentos.


Coloquei a mão lentamente na garganta, sentindo cada vez mais ressecada. Os lábios começavam a ressecar, criando cortes leves e pequenos. Estava impaciente e preocupada. Por que tanta preocupação se eu nem o conhecia? Ele era como um porto seguro, o único em que eu conseguia realmente confiar, e talvez isso não fosse bom.


Bufei e comecei a caminhar até o alojamento, mas antes de entrar no local, avistei um galho mediano, com uma boa grossura e não muito pesado. Ajudaria a me defender caso algo tentasse atacar. Segurei o galho com firmeza e adentrei ao local. Pendi a cabeça para o lado, dando passos leves, como uma gatuna. Algumas partes do teto estavam caídas, além da grande quantidade de teias de aranhas. Os ruídos, zumbidos, ou seja lá quais sons eram aqueles, estavam fazendo minha cabeça voltar a doer. Entrei num dos quartos, olhei para a cama e cerrei os olhos. Não tinha colchão. Revirei os olhos, dando passos mais largos, passando a ponta dos dedos no que seriam os restos dos móveis. Vire-me de costas, suspirei, logo saindo do quarto. Não era iluminado e isso já me assustava. Voltei para a parte central e olhei novamente o teto. Um local em ruinas pode ter muito mais do que nós imaginamos. Madeira, pedras, panos, e coisas ruins. Limpei os dedos na roupa e depois passei a mão desocupada no braço.  


Uma voz. Novamente uma bendita voz. Deixei a madeira cair e tapei os ouvidos. Percebi que Mihael estava saindo de dentro do alojamento, então me abaixei e peguei a madeira, logo correndo atrás dele. Não ficaria ali sozinha.


Ei... Mihael. — sussurrei, tentando me aproximar do homem. — Conseguiu encontrar algo lá dentro? Passei os dedos na cama e não tinha colchão. Mas acho que podemos usar algo de lá. Não sei se tem algum ferro, mas seria muito bom, só que eu não vou voltar pra lá sozinha. Não consigo.


Afastei-me um pouco, ainda segurando o galho e suspirei. Precisava ser mais corajosa, ajudar os outros, não queria ser um peso morto e muito menos morrer dentro do Complexo. “Olá, grupo vermelho.” Gostaria de ouvir mais nomes e sobrenomes, mesmo que não fossem os meus. A voz que nos perturbava era diferente, o que revelava outro narrador, ou apenas Ian brincando com nossas cabeças.


A voz dizia que precisávamos ter uma conversa e, se todos nós fizéssemos o que diz, seriamos pagos. Segurei a madeira com firmeza, respirei fundo e fiquei ao lado de Mihael novamente. Uma gargalhada, mas não tão assustadora como a de Ian. Olhei para os lados, umedeci o lábio inferior e me virei de frente para o rapaz. Senti uma angústia, como se algo muito ruim fosse acontecer. Meus lábios tremiam cada vez mais, a cabeça doía e eu sentia vontade de gritar.


Espero que ninguém tenha medo do escuro. Balancei a cabeça positivamente, remoendo a frase, tentando mastiga-la. Não tinha medo do escuro, mas sim do que poderia surgir de dentro dele. A escuridão pode ser boa ou ruim, mas depende de seus habitantes.




Viktoria Conan Doyle
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Cargo : Administrador


Varinha : Hm, querendo saber o tamanho da minha varinha, né?


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