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Aposentos de Mikaela

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Aposentos de Mikaela

Mensagem por The Golden Compass em Seg 08 Jun 2015, 13:12



Mikaela


The Golden Compass
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Re: Aposentos de Mikaela

Mensagem por Convidado em Seg 08 Jun 2015, 15:04

Dear Mom-Diary
De todas as coisas que têm ocorrido nos últimos dias, sem sombra de dúvidas vir para casa foi a melhor delas. Não que Hogwarts não fosse um lar provisório legal, porque é, mas está virando um puteiro enorme. Não pelo sexo, drogas, incestos, pedofilias e etc, mas sim por estar em crise. Até os mais pervertidos tem deixado seus desejos sexuais de lado e focado na própria sobrevivência, desde possíveis retornos para casa, até fugas, pelo que os corredores contam. E então me questionei: e nós? Já havia me encontrado com Maureen, mas a mesma havia chorado e apenas confirmado que não estava preparada pra enfrentar uma nova crise na sociedade bruxa e demonstrado a fraqueza, coisa que não fazíamos normalmente. E ela estava certa, como sempre. Não pelo sentimentalismo, mas pelas teorias. Temos um pai maluco cujas esposas, apesar de lindas, sempre acabam com o corpo gélido a alguns palmos abaixo da terra. Uma mãe morta, pra não quebrar a tradição. Duas tias solteironas por "n" motivos. Primos doidos com problemas (um com a namorada desaparecida, outra com a falta de um corpo pra chamar de lagartixa). Um irmão que quando não está chamando todos os holofotes para si, está desaparecido. Maureen perdendo seu coração de pedra e assumindo um comportamento complicado e frágil. Estou fodida. Pensando bem, todos von Stoichkov estavam.
 
Assim que adentrei a casa, joguei a mochila e a bolsa no chão da sala e corri até as escadas, cantarolando a cada degrau que ficava para trás. Estava precisando do meu quarto, do meu desarrumado, da minha confusão íntima e completamente minha. Um local onde ninguém iria me encher o saco. Vantagem dessa família: ninguém se mete nos quartos alheios sem ser convidado. O longo corredor do quarto andar abrigava algumas portas, mas havia uma em especial que detinha toda a minha atenção. Ali, no final deste, uma porta dupla de madeira polida, quase esquecida, me fez dar longos passos a frente. Fechei as mãos na maçaneta gélida e empurrei as portas, escancarando-as e me deparando com minha cama. Seus lençóis lisos e arrumados exatamente como deixei. O cheiro de livros velhos misturados com café. A vista linda que tinha logo após minha cama. Meu lar. A minha parte feliz deu olá e eu me joguei no colchão, esticando os braços e me sentindo no paraíso.
 
Fitei o teto e no meio da calmaria, percebi o quão sozinha eu estava. Um tempo sozinha se fazia necessário, mas estava sempre tão ocupada e distraída, que mesmo se arrumasse tempo e local, ainda assim não entenderia. Mas agora o único som que tinha era o de passos no andar de baixo, quase tão sutis que eu conseguia ignorar facilmente. Relaxei, sentindo o colchão duro impedir que meu corpo afundasse. Mas a mente estava absurdamente livre. - Mãe, essa é a hora ideal para você voltar. Esperei um tempo, mas como o esperado, nenhum móvel se moveu, nenhuma porta se fechou bruscamente, nenhum fantasma surgiu. Nada. Mais silêncio. Pulei da cama, buscando meu diário em meio a bagunça de todos os livros e, junto a um tinteiro e pena, voltei para a cama. Deitei-me, mantendo o corpo sobre o braço direito e segurando a pena com o esquerdo. Canhota, apenas para variar. Comecei a escrever, estilo "Elena Gilbert".
 
"Querido mãe-diário, escrevo mais uma vez porque acho que ainda é a única coisa que resta. Sem a fortaleza Maureeba, não sei como proceder com esse monte de problemas. Papai está impossível. Não sei se você está no céu, no inferno, em um universo diferente, sei lá. Só espero que não tenha visto a vergonha que foi o encontro no lago. Eu sei que fui explosiva, e pior ainda, que me sujeitei a ouvir aquelas bobagens, mas não valia mais a discussão, então preferi deixar isso de lado. Abaixei a cabeça e saí. Mas mãe, ele quer se casar. Ter outros filhos. Não tenho nenhum motivo pra não querer outra criança, então por que isso parece tão errado? Tão confuso, Ellen. Onde anda você nessas alturas? Mas Chace é meu pai e, mesmo que em momentos de raiva eu me negue a aceitar, o sangue dele corre por minha veias. Assim como o seu, mas você não está mais aqui. E então, mamãe? Gosto de pensar que se você estivesse viva, seria tudo diferente. Seriamos unidos, teríamos um amor familiar como todos os demais. Porra, esquece. Odeio quando fico pensando bobagem.
 
Me questiono também sobre coisas mais relevantes, tipo o futuro de todos nós. Tia Galadriel, que sinceramente me parece a única pessoa "sã" e apta a fazer algo por nós, está enfiada até o talo no tribruxo. A competidora dela é boa, vale ressaltar. Foco, Mikaela. Tem a tia Tálassa, mas ela continua igualzinha. Tio Caspian morreu e ela nem liga. Uma diva do desapego. Tia Ellye separou-se e voltou para a casa, mas não a vi ainda. O resto está tudo igual as anotações anteriores. Então, querida Ellen, acho que nos veremos em breve. Quer dizer, eu gostaria muito de tardar isso, porque sou nova, linda, gostosa e VIRGEM. Não, mãe, eu ainda não posso ir. Segura essa piriquita e manda umas luzes, umas macumbas, sei lá, pras coisas ficarem melhores. E agora chega. Me sinto uma criança tendo um diário. Amo você, desconhecida que me deu a vida. Fique bem."



Larguei o diário, o tinteiro e a pena e fechei meus olhos. Escrever aquelas merdas sempre me deixava mais leve, leve a ponto de fechar os olhos e cair no mais leve dos sonos.

OFF: Postagens pausadas. Não encham o saco. Flw vlw.
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